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DULCE RODRIGUES Biographie
Dulce Rodrigues
Née à Lisbonne, portugaise de nationalité et Européenne de cœur, ayant plusieurs formations universitaires, autrice de plusieurs publications, parlant 6 langues, aimant les gens, la culture par sa beauté, et particulièrement les enfants. Consacrant sa vie à la divulgation de la culture portugaise. Vivant au Portugal et en Belgique. Récompensée par plusieurs prix littéraires en Allemagne, Royaume Uni et France elle est l'autrice du livre en français et du CD-ROM en portugais de Barry dédié aux enfants. Je remercie sa participation et sa gentillesse pour sa participation sur Lusolyon dés le premier jour. Découvrez sa biographie officielle. |
Publications
SER AUTOR
« Ser autor de um livro é ter a paixão de viver, ser feliz a escrever (...) » Com esta frase, começava um dos poemas que me foram dedicados por algumas crianças de uma das escolas de Longwy, na França, quando da minha visita, em Maio de 2002, por altura do encontro dos alunos com os autores dos livros que tinham lido na escola. Acho extraordinário que uma criança de nove anos tenha a sensibilidade e, diria mesmo, a maturidade de um pensamento tão profundo e que define numa expressão simples e clara o significado do acto de escrever. Escrever tem sido para mim, efectivamente, uma necessidade e uma fonte de alegria constantes, embora nem sempre com uma continuidade ou um fio condutor semelhantes, quer do ponto de vista do conteúdo, quer da forma. Mas escrever para crianças é algo de especial, que me proporciona uma maior realização e enriquecimento pessoais. Uma estória para crianças deve ter um discurso autêntico e espontâneo e desenvolver um laço afectivo entre o leitor, as personagens e o autor. Por isso, tenho sempre procurado continuar a ver o mundo como através dos olhos de uma criança. E se elas têm sabido compreender tão bem as mensagens implícitas nas minhas estórias é porque se identificam com os personagens, os seus defeitos, virtudes, desgostos e desejos. Muitos autores escrevem ficção, eu prefiro extrair da própria vida os temas dos meus contos ou das minhas novelas. E assim como a nossa experiência do passado é o nosso guia no futuro, também o curso da nossa vivência influencia o discurso do nosso dia-a-dia. Escrever permite a busca e o encontro consigo mesmo. Busca, porque através das personagens de um livro podemos interpelar-nos e interpelar os outros. Encontro, porque mesmo que não encontremos logo (ou nunca) a resposta que procuramos, tomamos consciência da realidade dos problemas que existem. E tal como só nos podemos tratar de uma doença se aceitarmos que estamos doentes, também esses problemas só podem ser resolvidos se tomarmos conhecimento da sua existência e formos ao seu encontro. Através do discurso escrito, avançamos na descoberta da dualidade das coisas, pois tudo tem o seu oposto : a direita/a esquerda ; a afirmação/a negação ; o positivo/o negativo. A nossa escolha, que deve ser livre, decidirá do caminho a tomar, e cada caminho conduzir-nos-á a um destino diferente. Não existe fatalismo, é a nossa escolha que determina o nosso próprio destino. A escrita é o interlocutor paciente que não questiona as nossas perguntas mas que nos sabe sugerir respostas, ajudando-nos a analisar os factos de uma maneira mais objectiva e lúcida – ao construirmos uma personagem estamos a caracterizá-la, permitindo-lhe que faça as mesmas perguntas que nós e, afinal, as mesmas perguntas que toda a gente. As respostas, essas são, evidentemente, individuais. Dulce Rodrigues
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